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Bonsai

Árvore centenária repousa no tokonoma
Enquanto repouso em ti.
Vou deixando-me ficar
Aprendendo a secular Arte. 
              
Mário A. G. Leal
Blog Pensando Mario A G Leal
     
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Suiseki - A Arte do Silêncio

Autora:
Chiara Padrini

Itália
Trabalhos da autora - clique na foto




Wang Yun. Rolo feito em 1699, que ilustra as montanhas e as ilhas dos Imortais.


1º Parte
INTRODUCCIÓN


As pedras são objetos fascinantes, que tem tido sempre uma grande importância na existência do homem. Se têm utilizado como instrumentos de guerra, de culto, para edificar, como ornamentação e para outros muitos fins. É difícil encontrar alguma manifestação na que não se tem influência da cultura da pedra.
Nas origens da história do homem, em todas as culturas encontramos sempre a pedra. Incluso na origem do homem mesmo. Nossa religião, na verdade, fala de Deus criador, que utiliza o barro para formar o corpo humano. E o que é o barro, a argila, não é um produto da pedra? Entrar no fascinante mundo da cultura da pedra é como penetrar em um labirinto sem fim, aonde arte, filosofia, religião, alquimia, cosmologia, política e sociedade, tradição e costume, comércio, tem caminhos e inter-relações muito precisas, que convergem ao redor do objeto de nossa investigação: a pedra. Porém entre a gama infinita de objetos chamados “pedra”, desde a mesma cadeia de montanhas até o grão de areia, nós nos ocuparemos especificamente com aquela forma de arte desarrojada no extremo oriente e conhecida por nós, mesmo que de forma um tanto limitada, com a terminação suiseki, literalmente, água-pedra, que é próprio de Japão.

Expositor múltiplo. Coleção privada chinesa retoma em suas linhas modernas, a forma de recipiente barrigudo Hu. A destacar formas que encontramos também no desenho do rolo de Yun.

Na China se chama Gongshi –pedras dos eruditos- ou Ya-shi - pedras elegantes-, na Corea, Susok -pedras da longevidade- ou Hon Non bo –panorama de montanhas- na Tailândia. Como nasceu esta forma de arte, se ignora; se supõe somente, mas sem nenhuma certeza. O primeiro testemunho do interesse no Oriente pelo objeto pedra provem de algum achado arqueológico na China. Em tumbas que se remontam ao neolítico, se encontraram, entre os objetos queridos e preciosos que se deixavam junto ao defunto, pedras lavadas de nefrite verde água, o que testemunha o interesse pelas pedras artísticas. Mas os primeiros dados, que podem considerar se como o inicio desta forma de arte, que também procede da China, datam do 2000 a.C. Se tratam de pedras que simbolizavam as montanhas sagradas dos Imortais, segundo as crenças de budistas e taoistas.
A visão de um paraíso de saúde perfeita se identifica com as ilhas P’eng- lai, do primeiro monarca dos Ch’in -221-210 a.C- que precedeu a dinastia Han. Estas ilhas deviam estar encontradas no mar do Este, ate o ponto da saída do sol, o que acaso põe em evidência um vago conhecimento do Japão, posto que as expedições enviadas em seu descobrimento desaparecessem sem deixar rastro. O mais poderoso imperador do período Han,Wu-ti, quis construir um grupo desta ilhas em miniatura, em seu palácio, e desta feita, converteu em moda, se difundiu depois entre a classe nobre.
Retrato de Ni Zan (1301- 1374), citado pelos críticos de arte como um dos quatro mestres da dinastia Yuan. Entre os diversos objetos que está sobre a mesinha, vemos um incensário e um objeto que poderia ser ou um suiseki ou um apoia-pinceis, ou ambos. A princípio, os eruditos usavam belas pedras para apoiar os pinceis e dissolver a tinta para a caligrafia.














Mi Fu venera uma rocha Yu Ming (1884 –1935). Aquarela sobre papel.

A forma das P’eng-lai era descrita como um vasilhame abaulado HU, com o pescoço e a base que se estreitavam, usadas nas sepulturas para colocar vinho. Esta mesma forma se adotou para os incensários Bo-shan-lu, sobre os que se colocava uma pequena pedra. Envolta por fumo do incenso, recreava a visão das montanhas e as ilhas dos Imortais. O célebre Mi-Fu, entre os mais notáveis eruditos da historia chinesa, fanático colecionista de pedras e, considerado como o pai do suiseki na China. Dele se conta que rendeu honras a uma pedra colocada no jardim do imperador, inclinando-se para ela e não para os dignitários da corte, exclamando “Minha antepassada, minha mestra!”.
Deixou escrito que realizava viagens espirituais, incluído às cavidades das pedras que usava em sua escrivaninha para dissolver as barrinhas de tinta. Nos disse a tradição, que o Suiseki foi introduzido no Japão por uma delegação chinesa, entre os presentes oferecidos a imperatriz Suiko -593-628- concretamente um incensario com uma pedra sobre um leito de areia branca. Em efeito, a história do Suiseki no Japão se remonta ao 8º shogun Ashikaga Yoshimasa (1435-1490), quem junto com a ornamentação floral, a cerimônia do chá e a utilização do incenso, estabeleceu o Bon-seki (pedra-bandeja) como uma forma de arte. Em 1448 construiu o Ginkakuji -pavilhão de prata- de Kyoto, nele que se encontrava a sala do chá, aonde os hóspedes podiam admirar belíssimos objetos e entre eles, os Kiseki ou pedras fantásticas. Ginkaku-ji “O pavilhão de prata”, do período Muromachi, construído por Akishasa Yoshimasa, quem o chamou assim em contraste com o “Pavilhão de ouro” construído por seu avô Yoshimitsu. O monte Fuji está representado por um acúmulo de areia branca
Uma destas pedras existe aonde hoje em dia e é chamada Sue-no-matsuyama, que quer dizer “Montanha do pinheiro eterno”, e que se conserva como tesouro nacional no templo Nishi-Honguji, de Kyoto.
Se conta que foi objeto de intercâmbio por Hishiyamadera, o lugar do castelo de Osaka, por parte de Oda Nobunaga (1534-1582). Outra dessas pedras se chama Zansho ou “Restos de neve”. Entre as pedras históricas cabe recordar a conhecida como “Ponte flutuante de sonho”, Yume-no-ukihashi, que pertenceu ao imperador daigo.











Ryogen-in. Este jardim karesansui do período Showa foi reconstruído em 1980. No centro de um oceano de areia branca encontramos uma ilha-tartaruga (kameshima). A pedra grande da direita representa o Monte Horai, o lugar no que, segundo a mitologia se encontram os Imortais.
Esta pedra, de origem chinesa, se conserva como tesouro nacional, no Museu de Tokugawa e, como as outras pedras históricas, está proibido fotografá-la. Esta e a razão por que se têm poucas imagens e, além disso, só em branco e preto. Naquela época, o grande Mestre da Cerimônia do Chá, Sen-no Rikyu, estabeleceu algumas regras de estética, introduzindo no tokonoma a exposição de suiseki. Adotou-se o uso de vasos muito baixos, quando até então se estava usando recipientes bem mais altos e lacados. No transcurso dos séculos, a influência das distintas Escolas de Chá modificaram e codificaram os distintos conceitos estéticos e expositivos, que tiveram uma grande influência na arte do suiseki.
De igual forma, foi grande a influência que teve a arte dos jardins de pedra -karesansui- que marcou de modo indelével o suiseki, segundo sua conceituação japonesa. Na verdade, se passou das formas verticais, contorcionadas, furadas e muito dinâmicas, altamente apreciadas pela Escola chinesa, as pedras horizontais, de linhas cada vez mais planas, em busca da representação do conceito zen de wabi-sabi-shibui e yugen, que se pode sintetizar como um desnudar, ser a mera essencialidade, ou significar refinamento espiritual e controle extremo de todo impulso emocional. No Japão, a afirmação da arte da pedra e sua difusão entre as diversas classes sociais, se desenvolveram ao largo de vários períodos: Kamakura, Muromachi, mas o determinante foi o período Edo (1603 -1868).

















Pedra com dois lagos perfurados, datada entre a dinastia Ming e a Quing (s. 17-18). Coleção R. Rosemblum. Esplêndido exemplo de pedra segundo a escola chinesa.

















“Pico coberto por nuvens”. Pedra de Taihu, Jardim Liuyuan, Suzhou. Típico exemplo de rocha utilizada nos jardins chineses
Desde a nobreza ou a alta burguesia, até os habitantes comuns da cidade, o elevaram ao grau de culto e a competência entre os colecionistas se diz feroz. Personagens de renome, como o famoso expoente da escola de bunjin, Ray Sanyo (1780-1832) e Tanamura Chikuden (1777-1835), contribuíram para a difusão, como parte importante da cerimônia do chá sencha (verde). Um conhecido texto conta que Ray Sanyo viveu seus últimos anos em um lugar remoto, imerso na natureza, fazendo que as mulheres de Oohara recolhessem pedras do rio Kamo, comprava as que eram de seu agrado e as colocavam em sua habitação. Diz-se também que chegou a recolher mais de 300.000 pedras do Kamogawa e que logo as havia desejado, salvo uns cinqüentas. Delas, 40 têm chegado ate nossos dias e ao redor de 15 dentre estas se consideram Meiseki (pedras celebres historicamente famosas).
Os começos do suiseki “moderno” e sua oficialização definitiva se produzem no período Menji (1868-1912). Terminação suiseki se adota definitivamente no Japão para identificar esta forma de arte. Na revista "Bonsaigaho", fundada no ano 39 da época Meji, já aparece mencionada esta palavra de modo explícito, mas no “Discurso do Suiseki de Ota” se afirma que o uso da terminação suiseki se deve fechar no ano 12 ou 13 da época Meji, quer dizer, nossos anos 1880-1881. Por que estas precisões? Yamoto Mura. Pedra do rio Kamo, que forma parte da coleção do poeta Ray-Sanyo. É uma das pedras mais famosas no Japão.
Porque, em efeito, a palavra SUI - SEKI e uma contração de um ideograma muito mais complexo, SAN SUI KEI JO SEKI, que significa montanha-agua-cena-sentimento-pedra.
Analisando esta seqüência de palavras, compreendemos porque em Japão, com o termo suiseki se identificam essencialmente as pedras paisagem. E também fundamental o conceito de sentimento intenso, como sugestão, quiçá atmosfera, algo difícil de aprender em uma só palavra, que em ela mesma pode conter a vastidade de espírito do homem e de sua imaginação. Antes da Segunda Guerra mundial se cria no Japão a Nippon Suiseki Association e se organiza a primeira mostra dos mais famosos suiseki, na sede das Lojas Mitsukoshi. As comunidades nipônicas, que se estabeleceram em muitos países do mundo, mas sobretudo nos Estados Unidos, tem contribuído de forma determinante a fazer sair de seus confins o conhecimento desta arte de “as pedras para ser admiradas”, que tem conhecido um rápido desenvolvimento no ocidente. Hoje em dia, quando se fala de Bonsai, se fala de Suiseki. E quiçá porque este é um mundo em que o ruído e o som de todos os dias, faz arte do suiseki, que é a arte do silencio, penetrar em nosso espírito com tão sutil charme.

Refinada exposição de um suiseki em um tokonoma, segundo a escola de Kei-do (arte de expor), do mestre H. Katayama. A pedra, de aspecto muito forte e dominante, aparece junto a um rolo com somente escritura, sem nenhum desenho, nem outro elemento de acompanhamento, com o que voluntariamente no se define a estação.

AUTORIZAÇÃO - AQUI
TEXTO TRADUZIDO POR PEDRO STUMM - JOINVILLE-SC








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