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Mário A. G. Leal
Blog Pensando Mario A G Leal
     
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Tipo de Solo

UM MÉTODO PRÁTICO PARA DETERMINAR O TIPO DE SOLO
OU COMPOSTO IDEAL PARA SEU BONSAI


Thomas Brenner (5.04)
thomas@minasnet.psi.br


Sabemos que o composto ideal para uma azálea não será adequado para um junípero. Vamos ver porque isto ocorre.

Um gráfico de linha que represente a condição de pH onde as plantas sobrevivem pode ser representado assim:

             0 ----------------------------------------------- 100            Ácido                                pH                           Alcalino

Não é preciso definir o pH exato mas apenas uma escala relativa de zero a cem. Esta escala arbitrária é imprecisa mas serve para ilustrar os valores relativos. Uma azálea ocuparia a posição 23. um acer a posição 41 e um junípero Shimpaku a posição 74, e todos eles se desenvolveriam em solos diferentes.

O pH ótimo para cada espécie é o pH encontrado no solo natural. A azálea na natureza cresce na sombra das árvores mais altas (árvores de topo ou clímax). Suas raízes se espalham em camadas de matéria orgânica decomposta formada de folhas caídas, galhos e troncos dela mesma e das árvores. Os juníperos, por sua vez, são as próprias árvores clímax. Eles crescem em bolsões de rochas decompostas em terrenos rochosos. A única matéria orgânica disponível é aquela que os próprios juníperos dispensam em pequenas quantidades. A alta proporção de minerais das rochas contribuem para o alto pH do solo.

Um outro gráfico de linhas, semelhante ao primeiro, pode comparar o tamanho das folhas, como abaixo:

Tamanho das folhas  

 0 ---------------o-------------------------o---------------- 100

Grande             azaléa                            junípero              Pequeno


No gráfico acima a azálea ocupa a posição 20 e o junípero, pelas suas pequenas agulhas, a posição 74.

Agora vamos ver mais um gráfico semelhante comparando a tolerância a luz ultravioleta, diretamente relacionada com o grau de insolação:

Tolerância  Rad.  U.V.

0 ---------------o---------------------------o------------------- 100
Intolerante       azaléa                              junípero               Tolerante

O último gráfico mostrará a composição do solo com proporções de material orgânico e inorgânico. Notar posição relativa da azálea e do junípero e a semelhança com os outros gráficos:

Composição  do solo  

----------------o--------------------------o------------
100%              azaléa                          junípero         100%
orgânico                                                           inorgânico

O bonsaísta deve ter sempre dois recipientes básicos para preparação de seu composto. Um recipiente contendo 100% de composto orgânico: húmus, pó de xaxim, casca de pinheiro, estercos, composto de folhas, pó de serragem, etc.

O outro recipiente contendo 100% de material inorgânico: pedrisco, areia, saibro, argila granulada, vermiculita, etc. Estes materiais nunca foram “vivos” e são de alto conteúdo mineral e possuem alto pH.

Qual tipo de material orgânico e inorgânico será utilizado dependerá muito do que estiver disponível na região. Eu tenho utilizado como fonte de material orgânico o produto Plantimax feito de cascas de pinheiro e encontrado em lojas agrícolas. Para quem tem um viveiro comercial ficará mais econômico desenvolver seu próprio produto. Para material inorgânico utilizo argila vermelha granulada e saibro, ambos coletados no campo e areia grossa comum.

Agora vamos ver como funciona tudo isso na prática. Vamos imaginar que precisamos reenvasar um pinheiro preto japonês. Qual é a composição de solo ideal?

Ph

0                                          (  ? )                               100   
--------------------------------------------------------------
Ácido                                                                         Alcalino

Você não sabe o pH...

Mas sabe que tolera bem o sol...

Tolerância  Rad.  U.V.

0                                                           80%                  100
----------------------------------------------------------------
Intolerante                                                                  Tolerante

E sabe que possue agulhas pequenas mas maiores do que as do junípero...

Tamanho das folhas

0                                                          70%                     100
----------------------------------------------------------------
Grande                                                                          Pequeno


Podemos então estimar que a composição adequada será de 75% de material inorgânico. (Veja o gráfico de composição de solo). Tente com outras espécies, funciona com todas as espécies.

Algumas das espécies comumente utilizadas para bonsai foram agrupadas em 5 grupos básicos e servem como exemplo para determinar a mistura de solo ideal. Não se preocupe com a precisão. A composição exata não é tão crítica, o tamanho das partículas é mais importante do que o pH para o bonsai.

GRUPO 1 :      (3/4 orgânico           -           1/4 inorgânico)

Azaléa, rododendros, plantas de folhagem tropical.

GRUPO 2 :      (2/3 orgânico     -      1/3 inorgânico)

Acer, zelkova, elmo.

GRUPO 3 :      (1/2 orgânico      -      1/2 inorgânico)

Piracanta, glicínea, fícus, macieira, cotoneaster.

GRUPO 4 :      (1/3 orgânico      -      2/3 inorgânico)

Ginkgo, spruce, ciprete, criptoméria.

GRUPO 5 :      (1/4 orgânico      -      3/4 inorgânico)

Pinheiros, juníperos, crassula, portulacaria, eucaliptos, plantas alpinas e desérticas em geral.

Tente classificar seus próprios bonsai. Em que categoria parecem se encaixar? Experimente as proporções de solo de cada grupo no próximo reenvase. Seus bonsai certamente mostrarão resultados.

Para quem gosta de simplificar as coisas podemos pensar numa classificação ainda mais simples dividindo em apenas 3 grupos com 25%, 50% e 75% para as proporções. Adotei esta tática e estou satisfeito com os resultados. Em meu cadastro de bonsai disponibilizado para os associados da Ribeirão Preto Bonsai Kai utilizo uma classificação em apenas 3 grupos básicos para definir o tipo de solo seguindo os conceitos expostos acima.


Referência: The Bonsai Workshop. Herb L. Gustafson – Sterling Publishing Co, Inc. , 1996.

ATENÇÃO A tela acima faz parte do soft desenvolvido pela Thomas Brenner, para controle de nossos bonsai,  e que está disponível para "download", na página inicial.








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