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Bonsai

Árvore centenária repousa no tokonoma
Enquanto repouso em ti.
Vou deixando-me ficar
Aprendendo a secular Arte. 
              
Mário A. G. Leal
Blog Pensando Mario A G Leal
     
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Guia para compra de Yamadori e Árvores em Geral

por:
Espanha
http://www.davidbenavente.com/


Comprar um bonsai pode ser complicado se uma das partes pretende obter o máximo rendimento com a venda. Sempre surge a duvida  se a árvore que  estão nos oferecendo vale o que estão nos pedindo.

No caso das árvores para trabalhar a coisa se complica ainda mais, pois entram em jogo fatores decisivos, como o tamanho do torrão, o vigor da árvore e,  portanto, as possibilidades que tem essa árvore  concretamente de converter-se em um bom bonsai.

Vou tratar de explicar o que é, a meu critério, que deve ser exigido de um pré-bonsai (yamadori ou não) e o que deve ser valorizado.

Seguem alguns conselhos:

Não pague futuro a preço de presente

Isto quer dizer que não temos que pagar pelo que a árvore poderá chegar a ser, mas somente pelo que é nesse momento. Por exemplo, não se paga por um diamante bruto o mesmo preço que se paga por lapidado e engastado em um anel criado por um designer de renome.

Efetivamente, se a árvore tem muito potencial vai ser mais caro que uma que tem menos, é obvio, porém nunca ao ponto de que nos cobrem um preço que a árvore vá ter depois de transplantada no vaso definitivo, modelada e cultivada durante quatro anos.

É muito freqüente, estando ante um yamadori plantado em um caixote enorme, que o vendedor nos diga algo assim: “no momento que o transplantar para um vaso e o modelar um pouco vai ficar muito bom...”, e certamente, estamos de acordo, porém esse primeiro transplante para um vaso de bonsai tem muito risco (especialmente em coníferas) e além disso nos impossibilita modelar a árvore pelo menos até um ano, que é o tempo mínimo que o pinus (ou outra conífera) pode necessitar para restabelecer-se. Conclusão, esse tempo que temos que investir e esse risco a assumir, devem ser avaliados e não devemos ignorá-los na hora da compra.

Mas é claro, existe o outro lado da moeda. Não devemos estranhar que nos peçam mais caro por um yamadori que já está em um vaso de bonsai de dimensões adequadas, estabelecido há, pelo menos,  uma estação de crescimento e com abundante ramificação com a qual possamos trabalhar.

Se o vendedor assumiu o risco e investiu o tempo por nós, para que desfrutemos de um material “pronto para consumir”, é lógico que este “potensai” tenha um preço mais elevado que outro que está totalmente em estado bruto.

Não menospreze o risco que envolve comprar uma planta fraca e doente

Esta é outra das típicas coisas que os aficcionados não levam em conta. Pode ocorrer que nos ofereçam uma árvore da qual gostamos muito e que na verdade nos encantaria trabalhar para ver  a preciosidade que ficaria, depois do nosso arroubo de criatividade e virtuosismo na aramação, torção de galhos, transplante e não sei quantas coisas mais. Mas convenhamos! Está um pouco amarelada, ou a gemas são minúsculas ou a brotação deste ano quase não se vê, em resumo, a árvore que nos havia chamado a atenção está doente ou muito fraca.
O sensato seria não comprar pois, dependendo do caso, estamos arriscando 100% da compra.

Minha experiência me diz que um aficcionado que tenha posto os olhos em uma árvore não é capaz de resistir a tentação de modelá-la, por mais fraca que a árvore esteja.

Em outras palavras, não imagine que vai deixar a árvore em repouso até que tenha a saúde de um touro e só então irá nela trabalhar. Praticamente nada é capaz de suportar tão longa espera com a tentação vivendo em sua própria casa. Além do mais, esse tempo de espera vale dinheiro e o risco que corremos ao adquirir uma planta em más condições, também. 

Insisto, não compre uma planta em más condições, porém, se o fizer, que o preço seja tão bom que justifique o risco.

Bem-aventurados aqueles que encontram um fornecedor de confiança.

Por favor que ninguém se ofenda. O que quero dizer com isto é que é bom ter um fornecedor habitual, que ao longo dos anos nos tenha demonstrado ser digno de nossa confiança.

Conheço um caso de alguém que vendeu um taxus plantado em um vaso grande, que em seu interior ocultava uma tremenda surpresa, o tronco havia sido cortado justo acima das raízes e, portanto, era uma árvore sem raízes.

Com certeza a árvore morreu na casa do cliente, porém, imagine sua surpresa quando a retirou do vaso para averiguar o que havia acontecido  e viu que se tratava de uma estaca gigante  cobrada a preço de exemplar. Felizmente este foi um caso isolado e não é demais advertir sobre este tipo de pratica.

Um bom fornecedor é aquele que não só nos fornece árvores bem cultivadas, mas que, além disso, conhece nosso nível técnico e artístico, conhece nossas habilidades no cultivo (ou falta delas) e pode assessorar-nos  na seleção do material que mais se adequar ao nosso perfil. Se além disso necessitamos que nos ajude com o desenho e este é capaz de nos dar idéias de bom nível para modelar o futuro bonsai, então estamos diante do fornecedor ideal.

Uma árvore não tem que ser mais cara pelo fato de ser recuperada (yamadori)

Às vezes se recuperam coisas que não deveriam ter sido recuperadas pela sua falta de interesse para bonsai, porém, em troca,  pedem valores injustificados só pelo fato de ser yamadori.

No geral, os yamadori reúnem mais qualidades que os que não o são,  mas é claro, isto acontece quando o recuperador é suficientemente  sensato. A conclusão  disto é que a quantidade de dinheiro a pagar por uma árvore é diretamente proporcional às boas qualidades que o exemplar reúna, independentemente de sua origem.

O que é que se deve valorizar no pré-bonsai ?

Fase de cultivo 

Quantos mais anos de cultivo bem dirigido passam por uma árvore,  melhoram mais suas características e mais cara é a árvore.

Fase de educação do pré-bonsai

Este é um dos pontos chave. Não é o mesmo comprar um pinheiro em um grande caixote, que comprar em um vaso de bonsai de proporções adequadas para a árvore.  Este passo do caixote para o vaso definitivo supõe, em muitos casos, longos anos de cultivo e muitos riscos assumidos por parte do cultivador. Isso também tem um preço.

Se vais comprar um yamadori e vês que a base do tronco está junto a borda do vaso ou caixote que o contém,  tenha a certeza de que não é por capricho do recuperador, e sim porque a árvore tem todas as raízes de um só lado e além disso é muito provável  que exista uma grande raiz que vai desde o tronco até o lado oposto do caixote.  Passar essa árvore para o vaso definitivo levará, no mínimo, a uns dois transplantes ( de 4 a 5 anos).

E sejamos justos, se o yamadori que vais comprar está em um vaso definitivo, quer dizer que ao cultivador  lhe custou  de 4 a 5 anos (na maioria das vezes) colocá-lo ali e todo este trabalho lhe deve ser pago.

As texturas da casca e a madeira

Existem aqueles que,  parece que valorizam os bonsai por peso, fixando-se unicamente em que a árvore seja grossa e grande.

Em troca, os aficcionados com boa formação são capazes de desfrutar de aspectos talvez menos evidentes, mas que são um dos ingredientes que fazem que uma árvore  tenha este algo especial que a diferencia das demais. 

Quando alguém é capaz de apreciar as texturas que denotam idade em uma árvore é sinal inequívoco  de que tenha dado mais um passo em sua formação como Bonsaísta. 

O preço de uma árvore pode elevar-se só pelo fato de ter uma casca de muita qualidade, ou então por que as madeiras mortas que possa ter, estejam danificadas e com a textura que só a madeira centenária pode ter.  Nas texturas se vê a idade e no Japão esta particularidade  se tem como um dos grandes elementos diferenciadores.

Este pinheiro tem uma casca fora do comum, é muito velha e, além disso, chega a mesma até a ponta dos ramos.

Detalhe da maravilhosa casca deste pinheiro

Casca de pinheiro de idade media – alta

Casca de um pinheiro de idade media – baixa

Casca de oliveira de máxima qualidade. A oliveira portadora desta casca é mais que velha

Proporção e movimento

Todos nós sabemos, um bonsai ou pré-bonsai deve ter proporções harmônicas e um movimento interessante.

Uma boa conicidade e um nebari formado também são muito valorizados, ainda que, às vezes e dependendo da espécie, se possa fazer vistas grossas se a árvore não tem um nebari de livro e o compensa com o caráter e naturalidade que alguns yamadori podem chegar a ter.

Ramificação

Outro aspecto que tampouco se tem em demasiada consideração quando se tem que taxar uma árvore. A ramificação supõe anos de cultivo e já sabemos que tempo é dinheiro.

De toda forma nem todos tem bem claro que ramificação é a que custa dinheiro e qual não. O que devemos exigir de um pré-bonsai no que se refere a este ponto é:

  • Primeiro: que haja muitos ramos e gozem de boa saúde;
  • Segundo: que os ramos estejam muito subdivididos, ou seja, que estejam muito ramificados. Uma árvore com muitíssimos ramos primários pode parecer muito densa  e portanto ideal, porém não é assim. Fazemos um bonsai com os ramos primários necessários, porém que estejam muito ramificados (ramificações secundárias, terciárias ,...) ;
  • Terceiro: este é o ponto mais importante. A vegetação deve começar o mais perto possível da base dos ramos e continuar até a ponta. Só assim nos será possível reduzir o tamanho da copa.


Portanto, uma árvore com boa ramificação (de qualidade) será mais cara que uma que não tenha  ou que careça totalmente dela.

Espécie

Algumas espécies estão na moda (oferta e procura), outras são de enraizamento difícil, outras são escassas e algumas importadas. Existem árvores que por sua natureza têm formas muito interessantes e outras cujo padrão de crescimento é o do antibonsai. Existem os de folhas pequenas e os de folhas irreduzíveis. Existe todo um mundo de espécies e qualidades e portanto um mundo de preços. 

Vasos

Quem já não ouviu falar dos vasos Tokoname? São os vasos aos quais se atribui mais qualidade e os que, por conseqüência, tem um preço mais elevado, chegando em ocasiões a custar muito mais que a própria árvore que contém.

No extremo oposto estão os vasos reciclados e no caminho entre eles uma infinidade de possibilidades. Dependendo do vaso ou recipiente onde tenha ido cair a árvore que queres comprar, o preço oscilará em maior ou menor medida. 

Esta sabina por fim está em vaso de bonsai. Foram necessários mais de cinco anos de cultivo para vê-la assim, no vaso definitivo e com brotos suficientes para formar  a estrutura básica da árvore

Este pinheiro está na primeira parte do processo. Futuramente será necessário passá-lo do
caixote para o vaso definitivo

Texto autorizado por: David Benavente e
traduzido por: Luis Macedo - Porto Alegre-RS








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